Violência obstétrica. O termo assusta – e com razão. Embora nem todas as mulheres estejam familiarizadas com o assunto, muitas já foram vítimas desse tipo de agressão, que pode ser física ou verbal, tanto durante o parto quanto no pré-natal. São xingamentos, recusa de atendimento, realização de intervenções e procedimentos médicos não necessários, como exames de toque a todo instante etc.

Não dá para passar em branco e não comentar o que presenciei e me foi dito por minha filha, quando não estava perto dela. Os hospitais precisam treinar corretamente seus times obstétricos para evitar esse tipo de ocorrência, que não é considerado somente por mim, mas por centenas de outras pessoas, como se pode saber fazendo uma pesquisa rápida. Só no Brasil, 25% das mulheres passam por isso (uma em quatro mulheres, segundo pesquisas).

A primeira delas foi quando a minha filha chegou já com contrações ao hospital, de madrugada. Além da demora de acharem o médico de plantão, quando esta chegou (sim, era uma mulher), mostrando visivelmente muito sono (bocejando toda hora e olhos vermelhos), pois tinha sido acordada, daí a demora. Essa médica, foi bastante indelicada, incitando a minha filha a esperar o suficiente para ter parto natural (mesmo tendo sido informada todo o histórico da trombofilia e o que já tinha sido ponderado com o médico dela) e ainda citando exemplo da mãe dela, que teve todos os filhos de parto natural  etc (claro, que se não fosse o problema da trombofilia, ela tinha escolhido o parto natural). Depois quando deitou-a para examiná-la, veio uma contração e instintivamente com a dor, a tendência é fechar a perna e não abrir. Ela então falou ríspida se ela continuasse a fechar a perna ela não iria examiná-la pois não tinha tempo para esperar, já que teria que voltar ao centro cirúrgico. Eu já estava para estourar, mas me contive pois afinal minha filha estava alí nas mãos dela, para não agravar mais seu estado psicológico.

A segunda foi quando depois de ser transferida para o quarto, no intervalo de quando o médico dela já estava vindo, queriam fazer mais exame de toque. Porquê, se já tinha sido dito que ela iria fazer cesariana? Dessa vez a minha filha recusou e depois comunicou ao médico.

Depois que a criança nasceu, vinham as enfermeiras toda hora perguntar se o colostro já estava descendo (na minha filha este demorou a descer) e daí pegavam no peito de qualquer jeito, apertavam o bico machucando-o e empurravam a cabeça da bebê forçando-a a chupar. Teve uma dessas vezes, que a menina já estava pegando no peito direitinho e uma delas apareceu e afastou a cabeça da criança para ela massagear o seio e depois disso ela começou a chorar e não quis mais mamar. Acho que estressou a bebê (eu não estava nessa hora, se tivesse tinha feito uma reclamação). Acho que a finalidade de ver se o colostro já estava descendo era para tentar introduzir a fórmula o mais rápido possível. Sem contar a invasão ao banheiro, minha filha me contou que deu vontade de ir ao toilete e quando lá estava entrou uma enfermeira para pegar roupa suja, sem nem ao menos bater na porta! Nessa hora o acompanhante tinha ido ao posto de enfermaria requisitar alguma coisa.

O hospital onde isso aconteceu foi o Santo Amaro, em Salvador, tido como referência em maternidade! Ressalva, o hospital foi excelente na questão do atendimento em geral, das instalações, sómente o corpo de enfermagem que cuida das parturientes e a médica de plantão daquele horário e daquele dia não agiram como deveriam.

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