Minha filha caçula descobriu que é portadora de Trombofilia. Ela tinha abortos recorrentes e então descobriu o problema. Eu nunca tinha ouvido falar. Quando fui atrás, me assustei com a incidência e gravidade da situação. Aí a notícia depois não é nada animadora, pois o tratamento é feito à base de injeções diárias, que são caríssimas. Mas, correndo atrás de informações, ela descobriu sobre a gratuidade amparada por lei, pois afinal é uma gravidez de alto risco tanto para a mãe como para o bebê.

Portanto, se você é portadora de Trombofilia e está grávida, pode fazer uso do remédio através do SUS.

Mas a forma para se conseguir varia um pouco em cada Estado. O tipo (marca) de anticoagulante também, mas são todos com a mesma formulação.

A primeira coisa que você precisa fazer, é comparecer à um Centro de saúde (posto de saúde), com os exames e relatórios. 

Geralmente, os obstetras e hematologistas que conhecem e tratam gestantes com trombofilia, sabem exatamente como deve ser esse relatório. Os documentos são encaminhados para a Secretaria de Saúde e os medicamentos são retirados mensalmente, no Centro de Saúde que você solicitou.

Em Salvador, a Prefeitura Municipal, através da sua Secretaria de Saúde, tem um convênio com o SUS e o procedimento é similar. Minha filha primeiro teve que se cadastrar no programa e teve que levar o relatório médico (com tudo explicado, com quantidade de meses do tratamento, a dose a ser utilizada), ultrassonografia (lembrar de levar cópia do laudo, porque eles ficam com uma via), cartão do SUS, RG, CPF (originais e cópias) comprovante de residência (água, luz ou telefone no nome da paciente) e receita médica. Eles tem um prazo de 15 dias para dá uma resposta, mas no caso dela, tivemos sorte da minha irmã trabalhar na área de saúde e o processo correu um pouco mais rápido. É importante guardar um dinheiro para caso de eventualidades desagradáveis venham a acontecer, como por exemplo, o atraso na entrega mensal do medicamento (e você não pode interromper nem um dia sequer) e também as primeiras injeções teram que ser pagas do seu bolso, até conseguir as do SUS.

As injeções de enoxaparina sódica (nome da fórmula) são extremamente caras. Em média cada seringa vai custar entre 38,00 a 55,00 reais. Agora imagine arcar com esses valores durante 10 meses. Inviável para a maioria da população.

Guarde todos os documentos que você pegar – receitas, cartas, laudos, qualquer documento relativo a sua gestação ou prontuário médico. Sério, isso fará uma grande diferença no futuro, caso precise de um advogado.

As mulheres grávidas são até cinco vezes mais propensas a sofrer trombofilia, uma condição na qual as veias e artérias são obstruídas por coágulos, e que pode provocar desde inchaço e alterações na pele até o desprendimento da placenta, pré-eclâmpsia, restrição no crescimento do feto, parto prematuro e aborto. Por isso, o SUS disponibilizará, em até 180 dias, o medicamento enoxaparina 40 mg para tratar essas pacientes. O Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde tornou pública a decisão no Diário Oficial da União , por meio da Portaria Nº 10, de 24 de janeiro de 2018.

De acordo com as análises realizadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), a enoxaparina reduz a taxa de aborto nas gestantes com trombofilia. Em testes realizados com o medicamento, também se observou que o número de bebês nascidos vivos foi maior no grupo de mulheres grávidas que se tratavam com esse fármaco.

As evidências demonstram que esse medicamento tem mais benefícios que o ácido acetilsalicílico, atualmente usado no SUS para tratar as pacientes. Por esse motivo, a CONITEC recomendou a incorporação da enoxaparina 40 mg na rede pública de clínicas, hospitais e postos de saúde.

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