Aqui começa a minha jornada, no mundo maravilhoso do sentimento de SER "Simplesmente Avó"

Arquivo do mês: agosto 2016

Arthur, você tem só quase três anos, na data de hoje, mas sei que ao crescer vai começar a ler esse blog, que a vovó criou para você mesmo e muitas coisas vai aprender, analisar e refletir por aqui.

A vovó tem uma amiga que mora em uma chácara muito bonita, um pouco distante de nós, pois é lá no Estado do Paraná e ela tem um grupo chamado Vi Vendo na Roça, onde nos mostra toda a beleza da terra, desde suas plantações, modo de viver, até o dia a dia com os animais. Hoje, ela nos apresentou uma verdadeira aula da VIDA, as fases do nascimento de um pintinho e eu quero deixar registrado aqui para, mais tarde, você aprender, vendo, observando (não tem melhor didática que essa). Grata, Margarete Bedim, pelas fotos e sugestão de aprendizado!

ovo

“Depois de 21 dias embaixo da mamãe galinha, esquentados por seu corpo e penas, eu ja estou pronto para vir ao mundo. Dou uma bicadinha quebrando a casca para eu sair.”

ovo1

“Tou com pressa…mais umas bicadinhas e a casca vai quebrando…”

ovo2

“Tou quase livre da minha casquinha…ninguém pode querer ajudar e tirar para mim. Meu corpinho precisa sair sozinho. O calor vai me secando e logo estarei pronto. Primeiro saem minha cabeça e asinhas. A parte da bundinha e umbigo são as mais demoradas se alguém tirar a casca minhas tripinhas sairão para fora do meu corpinho e eu morrerei.”

ovo3

“Ufaaa agora sim… Livre!”

ovo pinto

“Oi… Já estou tão bonitinho!”

ovo galinha e pinto

“Com meus irmãos embaixo da mamãe galinha…e ninguém mexa conosco porque a mamãe fica brava..rsrs”

ovo e galinha

Tão pequeno, escondido sob as asas da mamãe, mas tem que esperar todos os irmãos nascerem para sairem todos juntos do ninho com a mamãe.”

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Ahhhh…estava eu a ler uns textos hoje e como gosto muito da escrita do Rubem Alves (psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros religiosos, educacionais , existenciais e infantis), não passaria despercebido esse que se entitula de “Pai”, que não vou reproduzir todo o texto, apenas alguns trechos para homenagear seu PAI, Arthurzinho, pela passagem do Dia dos Pais!

Assim diz:

“… não tinha intenção alguma de escrever sobre o dia dos pais. Mas, de repente, passando os olhos num livro que uma amiga me enviou, encontrei a seguinte afirmação: “Tomar uma decisão de ter um filho é algo que irá mudar sua vida inteira de forma inexorável. Dali para frente, para sempre, o seu coração caminhará por caminhos fora do seu corpo.” Aí as idéias puseram a se movimentar por conta própria. Pensei na minha condição de pai. É verdade: pai é alguém que, por causa de um filho, tem sua vida inteira mudada de forma inexorável. Isso não é verdadeiro do pai biológico. É fácil demais ser pai biológico. Pai biológico não precisa ter alma. Um pai biológico se faz num momento. Mas há um pai que é um ser da eternidade: aquele cujo coração caminha por caminhos fora do seu corpo. Pulsa, secretamente, no corpo do seu filho (muito embora o filho não saiba disto).

Lembrei-me dos meus sentimentos antigos de pai, diante dos meus filhos adormecidos. Veio-me à mente a imagem de um “ninho“. Bachelard, o pensador mais sensível que conheço, amava os ninhos e escreveu sobre eles. Imaginou que, “para o pássaro, o ninho é indiscutivelmente uma cálida e doce morada. É uma casa de vida: continua a envolver o pássaro que sai do ovo. Para este, o ninho é uma penugem externa antes que a pele nua encontre sua penugem corporal.“ Era isso que eu queria ser. Eu queria ser ninho para os meus filhos pequenos. Queria que meu corpo fosse um ninho-penugem que os protegesse, um ninho que balança mansamente no galho de uma árvore ao ritmo de uma canção de ninar…

Que felicidade enche o coração de um pai quando o filho que ele tem no colo se abandona e adormece! Adormecida, a criança está dizendo: “tudo está bem; não é preciso ter medo“. Deitada adormecida nos braços-ninho do seu pai ela aprende que o universo é um ninho! Não importa que não seja! Não importa que os ninhos estejam todos destinados ao abandono e ao esquecimento! A alma não se alimenta de verdades. Ela se alimenta de fantasias. O ninho é uma fantasia eterna. Jung deveria tê-lo incluído entre os seus arquétipos! “O ninho leva-nos de volta à infância, a uma infância!“ (Bachelard). Aquela cena, a criança adormecida nos braços do pai, nos reconduz à cena de uma criancinha adormecida na estrebaria de Belém! Tudo é paz! Desejaríamos que ela, a cena, não terminasse nunca! Que fosse eterna!

É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de uma criança. É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de um pai. O efêmero e o eterno abraçados num único momento! “Conter o infinito na palma da sua mão e a eternidade em uma hora“: o pai que tem o seu filho adormecido nos seus braços é um poeta! Essas palavras do poeta William Blake bem que poderiam ser suas. Um homem que guarda memórias de ninho na sua alma tem de ser um homem bom. Uma criança que guarda memórias de um ninho em sua alma tem de ser calma!

Mas logo o pequeno pássaro começará a ensaiar seus vôos incertos. Agora não serão mais os braços do pai, arredondados num abraço, que irão definir o espaço do ninho. Os braços do pai terão de se abrir para que o ninho fique maior. E serão os olhos do pai, no espaço que seus braços já não podem conter, que irão marcar os limites do ninho. A criança se sente segura se, de longe, ela vê que os olhos do seu pai a protegem. Olhos também são colos. Olhos também são ninhos. “Não tenha medo. Estou aqui! Estou vendo você“: é isso o que eles dizem, os olhos do pai.”

arthir e pai

arthur-e-bal

CELEBRAÇÃO NA ESCOLINHA

dia dos pais

dia dos pais1

dia dos pais2

dia dos pais3

dia dos pais4

Brincando de soltar bolhas de sabão com o papai, na casa dos seus avós paternos, em Alagoinhas!

arthur em alagoinhas



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