Aqui começa a minha jornada, no mundo maravilhoso do sentimento de SER "Simplesmente Avó"

Arquivo do mês: outubro 2015

Em princípio fiquei na dúvida onde publicar essas memórias, mas depois pensando melhor achei que você Arthur, iria gostar de mais tarde conhecer a cultura dos seus antepassados, pois coisas como essas, serão antiguidades e talvez você não tenha mais oportunidade de saber.

Eu tenho doces e saudosas recordações da sua trisavó (a mãe da sua bisavó), que era minha avó (mesmo sendo apenas mãe de criação da minha mãe, pois a mãe biológica mesmo faleceu quando ela ainda era menina).

As lágrimas vieram-me aos olhos, pois tenho tanta recordação da minha avozinha (materna), na verdade, passei mais tempo com ela do que com meus pais. Dentre as várias coisas que ela tinha na sua casinha simples, uma é a que me emociono mais lembrar, pois era a sua atividade preferida, o dia todo na almofada de bilros, fazendo rendas de encomenda e para a família. Até morrer, aos 98 anos ela ainda costurava, não sei como enxergava os buraquinhos minúsculos dos desenhos no papel para enfiar os alfinetes. E era rápida viu? Manejava aqueles bilros com uma maestria que dava gosto ver. Já postei isso até aqui veja mais uma vez:

Scan0004

Minha avó Filó (Florina) – in memoriam – Marcelo e Natan…

1.) Almofada de bilros:almofada de bilros

2.) Ferro à brasa: colocava-se o carvão e para acender tinha que soprar no buraco que tem no fundo, até a brasa pegar. Esse prego que tem na frente era para travar para não abrir.

ferro a brasa

3.) Gamela de madeira: lembro que a Vó Filó usava para “banho de assento” como dizia ela (higiene). Mas usava para lavar roupa também. Só que a dela era de um modelo redondo e bem funda, não achei nenhuma foto semelhante na minha busca.

gamela de madeira

4.) Bule esmaltado: fervia o pó de café nele e depois despejava no coador de pano, após coado, voltada novamente ao bule para ir para a mesa. Amava o café fresquinho (que ela gostava bem forte), com pão e manteiga, beijú ou biscoitos “palito” (formato comprido e feito de fubá e farinha)

Bule-De-Cha-Esmaltado-Agata-20140923141210

COADOR

5.) Pote de barro para água: Á agua era conservada em potes feito esses, exatamente assim, forrado na boca, com uma tampa em cima e sobre ela os copos de alumínio (que ela mantinha brilhantes). Mais tarde, veio o filtro de barro.

pote de barro

6.) Fogão a lenha: acendia pela manhã para o café e deixava até depois do almoço. O fogão dela era menor que esse da foto (e detalhe: a vózinha morava na cidade). Esse parece mais com o que a minha mãe Benta tinha lá na casa da roça.

fogão a lenha

7.) Colchão feito de palha: Era muito comum no interior e na fazenda as pessoas terem colchões enchidos à palha de junco (um capim que nasce nos brejos). Lembro que ela sempre gostava de colocar no sol, dizia que era para matar os micróbios 🙂

colchao de palha

8.) Travesseiro de macela do campo: além do colchão cheio de palha, tinhámos também travesseiros com enchimento de macela (que é uma flor do campo macia). Para que não cheirássemos o pólen, o travesseiro era costurado com capa de lona e depois envolvido com outra capa de tecido de algodão.

travesseiro com marcela

Macela

Flor da macela do campo (secava para encher travesseiros)

9)Machucador de madeira: ainda hoje vemos os machucadores de madeira, porém ela usava para tudo: para machucar tempeiros, socar sal grosso para afinar e ervas para chás.

machucador de tempero

10) Pilão de madeira: Esse não era muito usado por minha avó, mas ví muito lá na roça para socar arroz, que depois era passado para a peneira para tirar as cascas.

pilao

11) Panela de barro: A comida era cozida nelas e o sabor fica diferenciado, mais saborosa!

12) Chaleira de ferro: usada mais para esquentar água para tomar banho.

chaleiras-de-ferro-coloniais-antigas-vintage-chaleira-cinza-cabo-ferro

13) Candeeiro ou lamparina de latão: quando ainda não tinha luz elétrica, dormíamos cedo e ela tinha dois modelos. Um para a cozinha que era parecido com esse menor e outro para iluminar a casa, que era com proteção de vidro e parecido com a lamparina (só que a lamparina esfumaçava as paredes). Tempos depois surgiu o que chamávamos de Aladim (que a luz era fluorescente).

candeiro lamparina

candeeiro (1)

aladim

Aladim

 

14) Esteira de palha: é feita de palha da bananeira seca e curada, pode ser feita de um tipo de junco aquático. Ela gostava de colocar no chão para eu brincar de boneca ou lanchar e também usada embaixo do colchão para forrar o estrado (peça de madeira que suporta o colchão) e ficar mais macio para o colchão. A sua Bisa também usava muito para colocar eu, sua avó, e meus irmãos para comer “pirão de ovo, com cebola” , e outras vezes almoço mesmo, assim ela tinha a certeza que não estava faltando nenhum filho, pois éramos sete e passávamos a maior parte do tempo na casa da fazenda (agora eu, naquela época, confesso que não gostava muito de “roça”, preferia ficar com a sua trisavó na “rua” como chamávamos quem ficava na cidade. Hoje não trocaria mais a vida do campo pela cidade).

esteira de palha

Viu, meu neto? Essas são as recordações de sua avó, que quero deixar para você, como histórico familiar, para você contar a seus amigos, quando crescer, se tornar adulto e talvez passar para sua futura geração!

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arthur brincando arthur brincando1
A  brincadeira tornou-se hoje o maior obstáculo para a educação de filhos saudáveis. Na era na informática onde computadores e eletrônicos concorrem a até roubam a infância, os pais muitas vezes não sabem como lidar com a questão.
E de fato tudo é muito complicado mesmo. Muitas vezes, os pais acham que se impedirem os filhos de horas no computador estão isolando-os de um mundo que é o deles. Por outro lado, se empreenderem uma luta por manter e resgatar formas mais saudáveis de brincar parece que estariam obrigando os  filhos a viver uma infância que já se perdeu.
Dessa forma, pergunta-se? É possível um caminho do meio? Sim. A resposta é exatamente esta. Não podemos nem permitir que nossos filhos entreguem à informática sua infância e nem podemos obrigá-los a viver tão somente em um passado saudosista. O caminho é encontrar o equilíbrio entre tantas formas de brincar.
O brincar faz com que a criança se perceba. Faz com que ela reconheça suas potencialidades e seus limites. É o brincar que internaliza na criança  a regra saudável de convivência, e é o brincar que vai ajudá-la a ser um adulto saudável.
Quem não brinca carrega uma amargura na alma. A criança precisa se permitir brincar. Ela organiza e reorganiza um mundo a partir do brinquedo e nós precisamos permitir que elas façam isto senão corremos o risco de torná-las adultos inflexíveis.
Não importa a forma, o brincar precisa de diversidade, de multiplicidade e de simplicidade. É possível uma criança brincar até mesmo com seus próprios dedos.
Brinquedos lúdicos, tradicionais ou modernos podem conviver de forma harmoniosa em casa, na escola ou até mesmo em áreas de lazer comuns em prédios, bairros e shoppings.
É papel dos pais encontrar tempo para acompanhar o brincar das crianças, pois é por meio dele que desponta belo e lindo adulto  pra vida.
Texto: soparamaes


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